Paixão por uma garota com um namorado

A mulher que eu amo tá com outro cara e eu tô me sentindo um lixo.

2020.10.04 16:31 111DarkGuy A mulher que eu amo tá com outro cara e eu tô me sentindo um lixo.

Eu entrei pra vida "adulta" faz pouco tempo, e sinceramente minha adolescência não foi das melhores ou das mais bem vividas, então não tenho tanta experiência com relacionamentos.
Alguns anos atrás, eu conheci essa garota, ela é tudo de bom... amável, carinhosa, esperta, bonita, sei lá. É uma pessoa que eu admiro em diversos aspectos diferentes. Ela mora um pouco longe de mim, mas a gente meio que "clicou" imediatamente. A gente se aproximou muito rápido e sei lá, tava tudo dando certo, nós éramos basicamente namorados, só faltava a gente se assumir. Até que por algum raio de motivo que nem eu nem ela lembramos mais, a gente brigou. Ficamos um bom tempo sem nos falar. Reatamos contato esse ano, e eu, trouxa, me apaixonei por ela mais uma vez.
Bom, ela falou que não sente o mesmo, que não busca relacionamentos no momento, que talvez um dia, bla bla bla. Basicamente, eu tava sentindo mesmo que ela tava um tanto bloqueada comigo. Lembrando que tô resumindo muito a história pra não fazer um negócio gigante e muito detalhista. Enfim, eu conversei com alguns amigos meus e eles me ajudaram a perceber que talvez eu estava colocando a carroça na frente dos bois e sendo muito "juvenil" na minha abordagem. E parando pra pensar nisso, realmente, eu tava indo muito pra cima dela com essa de paixão, amor, namoro, mas sei lá, ela não tá bem com o emocional muito bom nos últimos meses pra isso, não é disso que ela precisa de mim, no momento.
Então eu falei "Ok, vou lidar com isso como adulto", chamei ela pra conversar e expliquei que eu acho que fui muito apressado e desengonçado na minha abordagem, que de agora em diante eu vou ser um amigo e um suporte pra ela, porque acho que ela precisa mais disso, no momento. Sugeri que ela fosse em um terapeuta (porque sinceramente, ela tá precisando), basicamente, falei que eu vou deixar esse meu sentimental em standby com ela, por enquanto, porque sinto que não é a hora. Ela me agradeceu, falou que sente que agora nós estamos sendo honestos um com o outro, que sente que o "bloqueio" que ela tinha comigo sumiu.
Aí ela disse que tá gostando de alguém. Inclusive, eles estão praticamente namorando. Eu sei lá, eu tava pronto pra deixar meus sentimentos de lado, mas essa notícia foi um baque muito grande... ela me disse isso, e eu aqui, me segurando pra não ter ciúmes, não ficar triste, pra sei lá, ficar feliz por ela. O cara em questão é conhecido meu também, ele não é babaca, não vai tratar ela mal. Mas manos... Eu não consigo me impedir de querer que esse relacionamento dela dê errado... Eu to me sentindo extremamente culpado, e é horrível esconder isso dela, mesmo sabendo que é o melhor a se fazer, pra não gerar briga e tal. Eu me propus a agir como adulto nessa situação e não ficar com esse tititi adolescente de "Ah, eu gosto dela mas ela gosta de outro", mas caramba, é um negócio que dói demais.
Bem, por enquanto os dois estão só "se conhecendo", não têm nada sério ou coisa do tipo, mas eu to percebendo que isso vai pra frente e tal... E eu não posso, nem devo fazer nada a respeito disso. Basicamente, eu perdi essa. Como praticamente tudo na minha vida amorosa até agora, eu perdi kk e eu to extremamente mal.
Então é... agora eu tô todo fragmentado aqui, metade de mim quer que ela seja feliz, quer estar lá por ela se ela precisar, quer acompanhar a jornada dela na vida mesmo que só como um amigo. A outra metade quer só que aquele relacionamento dela dê errado, que a vida me dê uma chance que seja de fazer ela feliz, eu, sozinho. E eu sei qual é o jeito certo e qual o jeito errado de agir, mas agir do jeito certo é MUITO difícil e sinceramente, dos dois jeitos eu vou me machucar bastante.
Tem muita coisa dessa história que eu não contei por preguiça e por não querer encher demais de texto, eu também não sou livre de problemas emocionais (mas diferente dela, eu estou na terapia e me cuidando e tal), mas o ponto é que eu devo MUITO a essa garota por coisas do passado. Não é só uma random que eu consigo simplesmente superar e seguir em frente, é muito, muito complicado. Eu real me apaixonei pesadamente por ela e "superar" isso vai ser um processo difícil, demorado e doloroso, se não impossível.
Enfim, obrigado pros 5 que lerem isso, é nóis galera.
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2020.08.08 03:59 SantoPraiano Acho que nunca fui desejado de verdade [texto meio grande]

bom resumindo eu só fiquei com duas garotas na vida, e só depois dos 18, a primeira foi uma gordinha bem bonita e simpática, e a segunda era uma parda bonita e "exótica" por causa do cabelo e estilo de roupa.
-mas o que me aflige? a primeira que fiquei foi meio afobada, dizendo que tava gostando de mim, msm que só tivermos ficado duas vezes, eu fiz o "certo" de forma bem escrota terminado o casinho com ela, eu não tava apaixonado por ela, e só fiquei pois estava frustrado por um bolo que eu tinha levado dias antes, além da pressão pra perder o bv ( tava quase com 19 anos).. Isso me afligia muito, ficava me sentindo um monstro mas 1 ano depois voltamos a conversar e ela me disse que é apaixonada pelo mesmo cara desde a adolescência, isso me mostrou que ela só ficou comigo por pura carência, que a rapidez da ascensão de sua paixão era puro fruto da necessidade de preencher o vazio que ela sentira após sua paixão não ser correspondida, mesmo que eu tivesse namorado ela, eu iria ser descartado com o primeiro homem "melhor" que ela arranjasse, ou quando ela recuperasse a autoestima e percebesse que não gostava de mim tanto quanto pensava.
-a segunda foi diferente, eu que me afobei, mas quando ficamos nos momentos em que estávamos conversando toda história tinha um ex, não se se era o mesmo ou vários, eu me irritei em certo momento, mas guardei pra mim, mas uma hora ela começou a falar mal da namorada do amigo dela (agr ex) , ela a descrevia como sem sal, mas isso não faz sentido pelos valores que ela tinha (feminista) assim percebi que ela era muito apaixonada por ele, nem sei como demorei pra perceber era algo tipo "ele preferiu ela ao invés de mim" e era tão óbvio os contatos físicos até olhar dela, as vezes flertavamos no domingo, e segunda ela nem olhava pra mim, eu insisti pouco e desisti, também percebi que ela ama e-boy, magrinho e cabeludo, essa era claramente essa preferência dela, e eu sou bem o contrário, gordo e to ficando calvo, (quero tratar isso tenho apenas 20 anos) assim percebi que ela só vinha em mim quando não tinha atenção dele, quando ela superou foi a outro com o mesmo perfil, se dizia apaixonada, eles terminaram e ela veio a mim, me lembro que no ultimo dia de aula eu ia me despedir dela, mas ela olhou pra mim e foi conversar com ele, naquele momento fui embora bem triste quase chorando, silenciei ela em todas as redes sociais, pois me matava ver ela dando amei em fotos de caras com um corpo que mal é possível pra mim, e com muito cabelo que já começa a faltar na minha cabeça, só vejo a miniatura dela mudando no chat do facebook, um tempo depois ela deu mach com um amigo meu no tinder(ele se encaixa como eboy), ele me mandou print, ela foi bem "atirada"(não acho isso ruim antes que venham militar), o elogiando e já querendo marcar algo, coisa que ela não fez comigo, ele não ficou com ela respeito a mim já que sabia sobre minha paixão, perdemos o contato de forma gradual com ela respondendo pouco e só me chamando pra desabafar algo e depois sumir por meses, não posso reclamar muito pra não ser "emocionado"
Isso tudo me entristece, saber que se elas estivessem bem consigo mesmas, com autoestima razoável, elas nunca olhariam pra mim, nunca sequer pensariam na ideia de me beijar, pois teriam coisa melhor pra pegar..
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2019.09.14 05:11 Inscenario Vazio e crises aleatórias

Bom, como iniciar isso? É minha primeira vez escrevendo nessa rede social, precisava de um refúgio para escrever meus pensamentos mais abafados.
Simplesmente sou uma garota normal, como qualquer outra, passando pelo seu período primário da fase jovem-adulto –lidando com pesares acerca das expectativas futuras. Tenho dezoito anos, completei-os em Julho. Desenho por paixão, desde muito novinha, e amo demasiadamente meu namorado.
Não consigo explicar as sensações que vem me atordoando em tempos, nem mesmo consigo especular como e quando esse alvoroço originou-se em mim. São momentâneos, algumas vezes duradouros, súbitos, graduais – por fim, sempre, dolorodos. Qualquer erro que acabo cometendo, seja um dia inteiro gasto em inutilidades ou um desentendimento banal/irrelevante com alguém próximo, desencadeia uma série de temores dentro de mim. Martelo meus pensamentos envolta daquele acontecido constantemente durante o dia, surto em determinados momentos (choro, palavras de autodepreciação, às vezes até chego a descontar minha raiva/tristeza no meu físico).
Não consigo realizar tarefas simples sem gastar todas as minhas energias e, ao final, sentir uma sensação inexplicável de vazio. Mesmo que eu passe minha tarde desenhando no computador, escutando minhas músicas favoritas, realizando todas as tarefas necessárias. Sempre, em algum lapso daquele dia, haverá um piscar de olhos dolorosamente lento em que a escuridão daquele relance se apossará de mim. Um baque – sinto meu peito oco. Minha mente atropelando tudo à mil: sem respostas, entendimentos, conclusões – apenas nós e mais nós traçando, de modo desequilibrado, cada pensamento meu.
Eu me odeio, odeio em múltiplas faces. Odeio meu corpo, às vezes aceitável. Odeio minha personalidade, mesmo elogiada. Odeio quando não consigo meramente estudar por um horário almejado, quando não consigo ir ao hospital ou rodoviária sozinha sem tremer da cabeça aos pés em ansiedade – como se o mundo fosse desabar sobre mim. Odeio estar na minha pele, sentindo como se estivesse deslocada o tempo todo – mesmo quando tudo está perfeito. Agonizante – seja um fiapo de cabelo fora do lugar, unhas curtíssimas devido a cada triturar dos meus dentes, manchas pelo corpo (braços, rosto, costas, pernas) de tanto cutucar minha própria pele de maneira compulsiva e incontrolável.
Uma hora estou contente ao lado do meu namorado e, num estalar de dedos, uma fala simplória alheia persiste na minha cabeça e acaba desenfreando uma situação desconfortante em instantes. Eu causo uma tempestade, solto o freio e vou descendo ladeira abaixo levando quem estiver muito próximo de mim. Por isso, às vezes sinto que deveria livrá-lo da pessoa que sou, pois eu mesma queria ter essa possibilidade de escolha. Mesmo o amando e sabendo que, sob seu afeto, sinto-me completa – encaixada em meu verdadeiro par. Há ocasiões extremas, onde esqueço minhas noções e sensos básicos – cedendo, então, às emoções mais exageradas possíveis.
Eu quero morrer, sem possuir coragem para tal. Em tempos e tempos, deparo-me com imaginações de sumiço ou minha própria morte. Almejo, peço, imploro para que acabe com tudo isso de uma só vez. E parece que aos poucos esse sentimento massante está dominando cada vez mais meus sentidos, suplicando por um fim.
Eu queria não ser quem sou, ou, simplesmente, não sentir tudo que sinto dentro de mim.
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2019.08.23 04:49 Emiliano9810 Só vim para pedir conselhos

Em primeiro lugar, desculpem se houver algum erro, ainda estou aprendendo português.
Bem, há um mês atrás eu comecei a conversar com uma garota que conheci no Instagram, na verdade nós já nos seguíamos desde 2017, mas nunca conversamos, ela parecia muito legal, a conversa estava fluindo, tudo estava legal. No mesmo dia em que começamos a conversar, ela me disse: "Ei, você quer sair um dia?" e eu disse "sim porque não".
No dia seguinte nos conhecemos, fomos no parque, comemos, conversamos sobre tudo que você pode imaginar, eu me diverti muito com ela. Um pouco antes de ela ir para casa, ela me beijou. Um ótimo final para um ótimo dia.
Nós continuamos conversando nos dias seguintes e todos os dias nos demos muito mais e nos conhecíamos mais profundamente. Ela estava em um relacionamento aberto, e no começo parecia que o seu namorado estava bem comigo saindo com ela, mas então os problemas começaram.
Nosso plano era sair como amigos e transar de vez em quando, mas ele não gostou da ideia, e eles estiveram discutindo por alguns dias sobre isso. Finalmente eles decidiram fechar o relacionamento e ela me disse que seria melhor permanecer como amigos. Aceitei com relutância porque sabia que, se tentasse "forçá-lo", seria muito pior, e não é isso que pretendo fazer. Ironicamente, no mesmo dia em que ela me disse isso, nós curtimos muito, tipo como um "adeus" ao que planejamos, e cara, isso foi incrível.
Depois disso nós continuamos saindo como amigos até hoje, mas eu realmente posso sentir alguma tensão quando estamos juntos, *if you know what I mean*. E ela realmente me entende como ninguém fez antes. Ela é muito engraçada, inteligente, peculiar, bonita e ... sua voz é como a voz de um anjo. Bem, eu tenho que dizer que eu tenho uma paixão muito forte por ela, e o que eu tenho pensado é que algo entre nós pode funcionar muito bem, porque ela também se sente atraída por mim, e acha que eu sou muito legal e tal. Então, eu acho que eu poderia esperar por ela, seu relacionamento com o seu namorado não é exatamente muito forte, não parece que ela vai mandá-lo embora por enquanto, mas quem sabe. Se tem outras garotas por aí e, bem, alguma coisa acontece, legal, mas ela é como o "grande prêmio".
Bem, desculpem se foi um pouco confuso, mas é meio difícil explicar exatamente o que eu sinto sobre toda essa situação. Se vocês quiserem que eu esclareça algo, é só pedir.
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2019.05.06 10:17 The-Old-Onee Meu primeiro relacionamento

A história do meu primeiro relacionamento foi algo que me marcou por um bom tempo. Até hoje, talvez.
Essa história pode não interessar muitas pessoas, mas aos que se interessarem, sejam bem vindos.
Tudo começou aos 6 anos de idade. Por isso, não esperem bastante maturidade vinda de mim. Na época em questão, eu havia acabado de me mudar com a minha família, e tinha entrado em uma escola pública. Foi nessa escola que encontrei a garota que viria a gostar.
Eu sempre vi muitas garotas bonitas em minha vida, mas nunca prestei muita atenção nelas, entretanto, algo me chamou atenção nessa garota. A propósito, pensei que poderia ser a sua beleza, mas isso não faria sentido por conta do fato anterior.
Sem nem mesmo conhecer um pingo de sua personalidade, eu acabei tendo a segunda paixão da minha vida, mais forte que a primeira.
Primeiramente, devo admitir que eu ficava muito sem jeito perto dela. Por isso, me impressionei comigo mesmo sobre como consegui pedir o seu telefone. As conversas eram inocentes, foçadas no meu herói de infância: Sonic.
Por favor, não ria.
Tive a sorte de descobrir que ela também era fã do Sonic, e isso unia as nossas conversas. Sem contar as minhas piadas sem-graça que sempre arrancavam um riso dela.
Depois de um tempo, as conversas terminaram. Não pude ligar para ela por um tempo, e logo perdi o seu número de telefone. Tímido, com vergonha de pedir novamente seu numero, aquela foi a última vez que eu conversei com ela no Ensino Fundamental.
Da segunda até a quarta série, eu estive gostando dela. Observando-a de canto, escrevendo seu nome em minhas coisas, imaginando um futuro promissor, até mesmo sendo motivado a ir para a escola simplesmente para ver o seu rosto. Uma criança apaixonada.
E com um óbvio mas bem escondido ciúmes quando rumores (falsos, no caso) de que ela namorava com o garoto mais inteligente da sala, começaram a surgir.
Eu, parabenizei ela por isso, mas amaldiçoei o garoto milhares de vezes, por dentro.
É uma das últimas vezes que lembro de ter dito algo para ela.
Quando passei para a quinta série, a escola escolheu uma nova escola da qual frequentaríamos, pois não tinha recursos para ter uma quinta série e além.
Fomos para a mesma escola.
Mas nada mudou, ficamos em salas diferentes. Nenhum dos meus amigos estavam ali, e para piorar, pelo meu jeito, passei a sofrer ofensas por outros colegas, das quais nunca me fizeram bem.
Ali, minha autoestima desmoronou completamente.
Eu sempre via ela algumas vezes, andando pelo pátio com os amigos, e talvez uma coisa que nunca cessou, foi minha paixão por ela.
Me lembro de um dia estar num evento de Festa Junina na escola. Cheguei cedo com a minha mãe, sentei em um banco no meio da praça, e ela sentou um pouco à frente. Queria falar com ela, mas nunca soube como começar.
Quando notei, ela se juntou com seus amigos, a conversa nunca aconteceu. Mas teria mudado algo afinal?
No meio daquele ano, eu me mudei mais uma vez. Dessa vez, fui para longe. Agradeci, nunca mais iria ver os retardados dos meus colegas, e como minhas notas eram baixas, não tinha o que perder.
Um dia, então, bem longe dela, passei a usar o Facebook. E por coincidência, encontrei o Facebook dela. Adicionei, e foi ali que a magia passou à acontecer.
Inicialmente, não me lembro de como ocorreu a primeira conversa, mas devo ter me apresentado, para ver se ela se lembraria de mim. Uma coisa que memorizo, entretanto, eram as sensações estranhas na minha barriga.
Eu devia ter o que? 9 ou 10 anos?
Fomos conversando, até chegar o dia da qual disse para ela como me sentia. Praticamente, disse que gostava dela. Nosso relacionamento nunca piorou, mas também não melhorou.
(Ps: uma das coisas que devo ressaltar, é que eu basicamente tinha medo da forma que ela reagiria. Por isso, nunca me declarei pessoalmente. Maldita covardia!)
Eu tentava sempre agir como um bom amigo. Tentava dar conselhos - me colocando no lugar dela - sempre tentava diverti-lá, no caso, sempre tentando encontrar um jeito de conquistar ela, até o dia que ela também passasse a gostar de mim.
Eu tentei ser o cara perfeito. Se eu consegui? Eu não faço a mínima ideia.
O tempo passou, e ela passou a ficar com outras pessoas. Quando ela ficava mal, eu sempre tentava animar ela. O ciúmes não era algo tão presente, pois no caso, eu só ficava interessado no bem-estar dela. Seus namorados eram um detalhe que eu procurava esquecer.
Enfim, um dia, o meu ciúmes me levou à entrar em discussão com um de seus amigos íntimos. Com esforço, eu consegui quebrar o relacionamento deles (isso soou tão mal).
A propósito, no início, ela falou que não terminaria com ele. Por isso, me senti inútil, e me afastei por um tempo. Bem decepcionado.
Quando voltei, ela havia me agradecido por ter ajudado a tirar o cara da vida dela. Nunca soube o porque, ela nunca me disse.
Enfim, nos reaproximamos, é nosso relacionamento evoluiu um pouco. Não tanto quanto eu gostaria.
Então, eu cometi um erro. Um grande, enorme, e fodido erro.
Basicamente, minha pessoa se cansou de ser o amigo consolador, e passou a ser mais impaciente com a situação. Então.. eu, com o meu jeito covarde de ser, chamei a própria pessoa que eu gostava, de oferecida.
O pior, foi em um post público. Com a clara intenção de humilhar.
Entramos obviamente em discussão, uma briga que nos afastou por um ano inteiro. Talvez, o melhor teria sido apenas conversar com ela e dizer o que sentia. Mas fui imaturo e inconsequente (sei que é praticamente a mesma coisa).
Depois que um ano se passou, eu tentei me reaproximar. Mas como dizem, um relacionamento é como uma folha de papel. As brigas amassam esse papel, e independente do que faça, ele nunca retornara ao que era antes.
Ela estava brava, brava com alguns amigos também, e eu acabei chegando nela situação. Basicamente, eu apenas tentei me desculpar.
Não me lembro, a propósito, se eu consegui. Mas depois de um tempo, acabei me afastando novamente.
Quando ganhei o meu primeiro celular, eu instalei o WhatsApp, e como não tinha muitos Contatos, pensei em adicionar algumas pessoas.
Eu já tinha ela como amiga, então pensei, porque não?
Aqui chegamos no terceiro e último arco dessa historia.
Pedi o seu número, e foi incrível como nossa relação prosseguiu x 0. Eu continuava sendo o mesmo amigo consolador, mas dessa vez, ainda mais apaixonado.
Consolei, ajudei, aconselhei, fiz tudo para ver ela feliz. Por mais que eu fosse um idiota completo, ainda tinha a felicidade dela como prioridade. Mesmo após anos.
Algo que devo citar, è ela dizer que na verdade sempre me amou, e na ocasião, namorou com outros caras simplesmente para me esquecer.
Eu não acho que precise afirmar que sempre estranhei aquela história, certo? Afinal, anos atrás, a mesma me trocou por outro cara.
Voltando ao assunto..
Foi então, que tendo ainda mais impaciência, eu falei o que queria falar há bastante tempo.
Por favor, porra, fica comigo?
(Ps: sim, foi virtual) (Ps2: não foi com essas palavras, obviamente) (Ps3: essa não è a sigla para PlayStation 3)
Ela aceitou, ótimo, não?
Os primeiros dias sendo seu namorado, mesmo que virtual, foram realmente maravilhosos. Acordar, e receber um bom-dia da pessoa que ama. Áudios, dizendo coisas carinhosas.. cada ação que te conquistava...
Os seis anos correndo atrás daquela garota valeram a pena naquele momento.
Obviamente, meu ciúmes aumentou. Quando ela falou que seu ex havia pedido uma foto dela para colocar como uma capa no perfil, eu não aguentei. Simplesmente dei um xilique.
O ciúmes realmente não è uma coisa saudável em situação alguma. Que sensação terrível..
Um mês depois, eu cometi outro grande erro.
Em um resumo, estávamos fazendo ciúmes um para o outro. Acontece que eu foi bem mais pesado, e não respondi ela por um tempo (1 hora).
Eu havia dito que estaria com outra garota, achei que a situação terminaria bem naquela noite. Vacilo meu.
Ela ficou completamente com ciúmes, não sei como a conversa seguiu, mas terminou com o fim do meu relacionamento com ela, e lágrimas silenciosas na noite.
Eu mesmo, terminei o relacionamento que demorei anos para construir.
Apesar de que o motivo do término foi outro. Basicamente, ela ainda gostava do ex, e eu, sabendo que não conseguiria dar para ela o que ela queria, libertei ela de mim.
Pode ter sido uma atitude meio corna. Mas sério? Eu nem sabia da existência dessa palavra.
Eu voltei a ser o amigo consolador. Mas agora, meu amor por ela começou a esfriar bem depressa.
Eu passei a evitar suas mensagens, responder apenas dias depois, fui me afastando sem notar.
Nesse tempo eu comecei a ficar mais quieto pessoalmente, motivos? Leia mais a frente.
Um dia, dando mais uma chance ao amor, eu tentei reatar com ela. Mas as palavras que me atingiram foram pior do que qualquer merda que eu possa imaginar.
“Eu te considero como um irmão”
Tipo... è sério isso?
Sim, è.
Como se eu sentisse que um buraco negro tivesse surgido no meu peito, um desespero tão grande, a sensação de rir de descrença enquanto chorava.
Era assim que as garotas dispensavam os caras agora?
Um simples não seria menos doloroso do que aquela resposta.
Eu sei que sou um completo babaca, fiz muita merda. Mas aquilo nunca tirou o meu direito de se sentir triste.
O resultado? Eu me afastei completamente dela.
O fim do meu relacionamento me trouxe uma resposta interessante: nada è como você pensa que vai ser.
Talvez, se essa história fosse um simulador de namoro, eu com certeza estaria vivendo o final ruim.
Se eu tivesse tido mais coragem no passado, e me declarado, talvez as coisas teriam sido diferente.
Quem sabe eu estivesse feliz hoje.
O foda disso tudo, foram os problemas familiares que por baixo sempre foderam com a minha mente.
Brigas o tempo todo, ameaça de divórcio, o xingamento pelos colegas, até mesmo ser traído pelo seu melhor amigo, essas coisas fodem com a cabeça de uma criança que nunca teve tantas dificuldades na vida.
(Apenas para avisar, éramos da classe baixa, graças ao meu pai, e ao meu bom Deus, conseguimos ir para a classe média. Mas desde lá de baixo eu já não sofria muito com isso)
Enfim, passaram-se os anos, ela começou a gostar de outras pessoas, e eu de outra pessoa. Um dia, entretanto, quando fui excluir meu facebook, eu encontrei nossas antigas conversas, que me acenderam uma pergunta:
Será que a culpa era minha?
De certa forma, sim. Minhas escolhas nos trouxe até aqui.
Por um bom tempo, eu vivi com aquilo na mente, até tomar coragem para enfim pedir desculpas.
Eu senti que precisava fazer aquilo para conseguir continuar vivendo em paz comigo mesmo.
Após anos, eu conversei com ela novamente. As respostas foram frias, diretas e mais cortantes do que Trimontina, mas eu aguentei.
A minha última conversa com ela, foi pedindo desculpa pelos meus erros. Se ela aceitou? Eu não sei.
Mas eu tentei. Mesmo que isso não viesse me trazer absolutamente nada de bom.
E esse è o final da minha história, sobre o final do meu primeiro relacionamento.
Aprendi com meus erros? Talvez, mas continuou um grande idiota que se esforça em aprender com as próprias merdas.
Mas agora digo isso para você, que está com vergonha de se declarar para seu amor secreto: simplesmente faça isso.
Se declarar pode ser algo difícil, pois você estará literalmente abrindo o seu coração sem a certeza de que será correspondido.
E quem saiba, esteja apenas se preocupando atoa, e tenha sim grandes chances,
Mas vai por mim.
Às vezes, è muito melhor receber um “não”, do que viver um futuro estruturado pela sua falta de coragem em dizer o que sente.
A vida è curta, mas o arrependimento è eterno. Por isso, apenas faça. Vá em frente, e se o garoto ou a garota apenas recusarem, não fique para baixo.
O mundo è feito de pessoas maravilhosas que podem te trazer a lua se você quiser. Basta você ter esperanças e nunca desistir do amor.
Enfim, aqui me despeço, e mais uma vez:
Não queiram viver o final ruim desse simulador de namoro que è a vida amorosa. Vá em frente, e corra atrás do que você quer.
Porque no final, aqueles que não desistem, sempre triunfam.
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2019.03.27 02:01 lucius1309 AMADURECER, FICAR SOZINHO E MUDAR O MUNDO

Não tenho tido mais tanta vontade e muito menos paciência pra me dedicar à minha real paixão desde a minha adolescência (as teclas, os textos e essa porra toda de "literatura", se podemos chamar disso as merdas que escrevo), e que me salvou tantas vezes de tantos buracos escuros demais para que eu fique agora remoendo eles. Não que eu não goste de remoer o passado (eu adoro), mas me faço de forte e evito. Cutucar merda velha sempre vai fazer subir mal cheiro.
A questão principal é que agora eu tenho 28 e não dá mais pra viver como uma criança, a vida cobra caro, eu tenho que pagar contas, trabalhar pra caralho, cuidar da manutenção do carro, limpar a casa sozinho, arrumar uma namorada e ser um bom namorado, tentar dormir 8h por noite e ser um cidadão exemplar, pagando meus impostos pra poder passar tranquilamente numa blitz da polícia militar.
Sinto muitas dores nas costas ainda, pode ser estresse ou algo crônico.
Instabilidade emocional ainda é comum, independente de idade. Não é mais como era antigamente, aquele drama todo, aquele caos, é algo mais interno, é como ir abastecendo lentamente um grande copo sem previsão de que vá chegar na borda e derramar tudo.
Hoje a minha tristeza é previsível, e cada vez mais sutil e escondida de todos os outros.
Acredito que isso faça parte de "ser adulto".
Muitas pessoas têm dificuldade para amadurecer, e isso acontece porque o ser humano detesta mudança, se depender dele, vivemos todos numa zona de conforto do caralho esperando que as coisas se resolvam e aconteçam do dia pra noite, e cá entre nós, nunca foi assim e nunca será.
Utopia é uma palavra pouco usada, mas muito presente.
Se você não a conhece, use um dicionário, ou o Google, ou o Bing, ou o Yahoo respostas.
Hoje trabalhei pra caralho, cheguei em casa cansado e me deparei com ela completamente vazia. O que é bom pra mim, porque como já disse várias vezes, a solidão me cumprimenta como uma velha amiga. Ela me abraça, me dá um beijo no rosto e diz que vai tudo ficar bem. E isso me conforta há alguns anos.
Tive que fazer janta e limpar a casa. Sentei em frente ao computador e reparei que minha barriga está crescendo de uma forma completamente imperceptível e sutil, mas está crescendo, e por isso desisti de comer o Doritos que tenho escondido no meu armário. Escondido de ninguém, porque como eu disse, estou sozinho.
Na real, estamos todos sozinhos, não é verdade?
Relacionamentos são extremamente complicados, e por isso prefiro ficar sozinho.
Mas agora eu tô dando a chance pra mim mesmo e pra uma garota e estamos vendo o que vai rolar, um dia de cada vez, sem pressa.
Meu alcoolismo me persegue mesmo dois anos depois que comecei a tratar dele.
Hoje peguei uma latinha de cerveja na mão e abri e entreguei pra uma pessoa que estava tomando o último porre antes de parar de beber. Aquele estralar da latinha abrindo soa como uma música melhor do que Dark Side of The Moon do Floyd tocado por 24h seguidas. Bateu sentimento sim, e por isso estou aqui escrevendo. Não só por isso.
Vamos lá.
É muito triste eu ver que meu último texto foi escrito há mais de 20 dias atrás, porque pra falar a verdade, isso daqui foi a única coisa que nunca desisti, e a única coisa que eu tenho algum talento pra fazer, que posso afirmar de boca cheia que tenho algum potencial. Eu sei usar as palavras pra qualquer coisa que eu precise, e os textos, ainda mais. Até por isso me dou bem no Zap Zap com todos os tipos de pessoas. Parar de escrever é pra mim, como parar de respirar. É como se eu estivesse aos poucos morrendo. E não quero que tudo acabe desse jeito. Não tenho sonhos ou planos de ser publicado e acordar sempre depois do meio dia pois fico escrevendo de madrugada, também não almejo ir pra Portugal autografar livros enquanto me sento numa poltrona cruzando as minhas pernas parecendo um grande intelectual. Eu não sou esse cara.
Tudo o que eu quero é escrever com certa regularidade e me sentir bem comigo mesmo. Porque a hora em que escrevo é a hora que me sinto mais a vontade no mundo. Mesmo que ultimamente tenham sido textos tão meia bocas quanto esse que estou prestes a encerrar.
Em algum dia, em algum lugar, em algum momento único, alguém vai ler essa merda e se enxergar em uma ou duas passagens que parecem ter algum sentido, e isso pode de fato mudar alguma coisa praquela pessoa. E talvez seja esse o verdadeiro sentido da expressão "mudar o mundo". Não necessariamente O MUNDO TODO, mas o mundo de uma pessoa.
Essa talvez seja a verdadeira meta de todo desgraçado que se arrisca nessas teclas. Talvez seja a minha.
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2019.02.13 19:55 KillDozerMaster Religião,tristeza,amor e crise de identidade

Essa vai ser uma longa história e vou citar varios pontos que tem me incomodado na minha jovem vida e não sei mais o que fazer sobre todas essas coisas,talvez essa sensação de estar perdido seja a "Maldição" do jovem,estou em busca de conselhos.
1°:Eu por um longo tempo não acreditei em Deus,quando entrei para o ensino médio conheci uma garota evangélica de uma igreja conhecida e muito influente na minha cidade,para facilitar o texto vou chamar ela de "L". L e eu começamos a namaorar no meio de 2017,com a condição de eu participar da igreja dela,eu aceitei,com o tempo me apaixonei pelo local e me tornei um crente praticante e de muita fé. 
A igreja que participo é uma igreja em célula,para aqueles que não conhecem é uma forma de evangelização onde há um "Líder" que é uma forma de tutor para os discípulos dele,nos reunímos uma vez por semana na casa do líder pra receber uma palavra na semana(mantenham isso em mente pois é importante). O tempo passou,cada vez mais a paixão tanto por ela como pela igreja foi crescendo,mas eu,em minha puberdade,viciado em pornografia e masturbação usei da minha lábia e de muitas mentiras pra que ela me enviasse fotos e vídeos nuas. Um dia eu entendi de meu Deus que eu deveria terminar esse namoro,fiquei deprimido na hora,contei ao meu "Líder" e ele disse pra que eu obedecesse,eu me sentia muito pressionado,por muito tempo eu fiquei desviando disso e não terminei,mas um dia fatídico chegou em que eu criei coragem e terminei. Ela sumiu da minha vida,mudou para a noite e fugiu da igreja que ela amava tanto,arranjou outro namorado,vendedor de drogas e bêbado famoso na cidade,brigou com a mãe e foi morar com o beleza,tranzou com ele(o que na minha crença é pecado antes do casamento,e ela tinha o sonho de perder a virgindade com alguém que passaria toda a vida com ela),descobri a poucos dias que ela engravidou e escondida da mãe tomou chá para abortar. Eu choro e fico deprimido por toda essa desgraça na vida dela,pois,sinto que é tudo culpa minha,se eu tivesse agido de uma forma diferente com ela nada disso teria acontecido,se eu não tivesse sido um tarado com a pobrezinha ela não teria que passar por toda essa desgraça,isso acabou me levando a uma tristeza profunda que não sai da minha mente.
2° Como foi citado no texto anterior sou um viciado em pornografia e masturbação,e isso é algo que não consigo me livrar,e esse vício piora ainda mais minha tristeza pois sinto que estou magoando meu Deus,que sempre me amou,mesmo quando não acreditava nele.
3° Não quero contar ao meu líder que me viciei em pornografia mais uma vez,e nem para meus amigos da igreja,e para eles eu fico com a máscara de "Santo" e "Bonzinho". Entre meus famíliares eu uso a máscara de quem gosta de ler e é um jovem prodígio quando na verdade eu leio apenas umas dez páginas de livro por dia e não vou bem na escola e nem nos vestibulares que participo,o que me deixa com medo do futuro que eu vou ter. Para meus amigos eu pago de "Fodão" o que pega todas e usa droga,toma cachaça pra caralho e usa narguile,quando na realidade não faço nada disso. E por causa dessas mentiras não sei mais quem sou eu,o que piora ainda mais minha situação.
Alguns adendos para os anjos que quiserem me ajudar: *Largar minha igreja está fora de cogitação. *Eu sou jovem,e escuto bastante o famso "Isso não é problema de verdade eu tenho que X e Y,e esse seu problema não é nada" se for pra dizer isso,nem diga. *Estou no último ano do ensino médio e minha ansiedade tem me devorado cada dia mais por causa do vestibular,qualquer dica é bem vinda.
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2019.02.11 06:59 alemdoqueseve Meu problema único problema com nunca ter me relacionado com ninguém

Muitas pessoas se sentem envergonhadas por nunca terem beijado, namorado ou transado com alguém na vida, já que elas temem o julgamento de outras pessoas ou se sentem um fracasso quando se comparam a outras. Eu nunca fiz nenhuma dessas três coisas com meus quase 20 anos. Mas eu não me importo com julgamento, com o que vão achar. E não tenho esperança de que vá melhorar. A solidão dói sim, mas o que mais me machuca é não ter o que contar quando eu vou compor músicas - e música é minha paixão, o modo com que eu me expresso. Não ter um alguém inspirador. Não ter uma história doída de término, uma história de conquista. Não ter alguém pra odiar em uma letra ou pra admirar. Já tentei escrever sobre pessoas que eu cheguei a gostar, mas sempre repudiei o resultado, porque sempre vira um amontoado de clichês. "Mas várias músicas boas foram feitas assim, escrevendo sobre o que se almeja, sobre alguém em especial mesmo que não exista nada entre os dois", beleza, mas eu me cansaria fácil de só compor músicas assim. Radiohead sucumbiria se escrevessem apenas umas Creep, The Smiths não aguentaria tanta Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me, Pearl Jam com Black, etc etc. Eu sei que eu posso contar uma história, inventar personagens, e que não precisa ser sobre mim exatamente. Mas eu me sinto como se estivesse expondo o mais íntimo que tem de mim quando faço isso, pois tô jogando projeções do que eu não tenho em cima de uma história que retrata o que eu nunca experienciei. Eu queria ser verdadeiro.
Enfim, quero dizer que eu não queria me relacionar alguém só pra compor uma música, pra escrever sobre um término, um garota bonita que eu consegui pra mim, mas porque eu teria uma fonte real pra escrever sobre esse tema, e sobre qualquer coisa dentro dele. Eu poderia ser genuíno e ter sucesso na minha autoexpressão. No fim do dia, só me resta tocar aquilo que retrata o que eu nunca vou ter.
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2018.10.11 02:26 RealFakeEmo Fobia Social Extrema , existe alguma esperança para mim ?!

Eu sei que devem existir pessoas em situação similar a minha , mas é aquela coisa , cada pessoa lida de forma diferente com seu problema , eu por exemplo não estou conseguindo lidar , e por isso irei tentar desabafar aqui o que me aflige ...
Bom , já tenho 25 anos e tenho fobia social , não sei desde quando , mas sei que desde a infância sempre fui uma criança tímida e quieta , mas as coisas começaram a ficar ruins na adolescência mesmo , embora eu na minha inocência achasse que o problema se resolveria com o passar dos anos ( coisa que não aconteceu e só foi ficando pior com o passar do tempo ) quando tinha uns 13 pra 14 anos passei por uma psicóloga , mas na época eu achava que estava tudo bem ( mesmo não estando , sofria bullying pelo meu comportamento , era chamado de autista e etc ) acho que uma das piores experiências vieram logo 1 ano depois , fui fazer segundo grau de formação de professores ( mais pela vontade da minha mãe do que minha mesma , minha inocência da época falando alto novamente ) e foi uma das piores experiências da minha vida , assim que eu soube que teria que estagiar logo no primeiro ano , bom reagi da pior forma , comecei a faltar direto , até por conta disso , passei a ganhar o apelido de " Turista " , meus pais descobriram e foi tenso , bom depois disso , eu comecei a ser vigiado pelos meus pais , mas eu ainda sim faltava quando dava , bom a minha relação com o pessoal da minha sala era terrível , eu tinha uma " amiga " mas as vzs ela me fazia me sentir tão merda quanto qualquer outra pessoa da sala , o meu comportamento extremamente tímido não era compatível com aquele lugar , com isso repeti de ano ( isso era meio óbvio até né ) bom teve algo bom nessa escola , foi um reforço que a prof de português mandou as pessoas que estavam mal nela fazerem , conheci umas pessoas legais nesse reforço , principalmente uma garota muito boazinha e legal , mas isso durou pouco tempo infelizmente , mas posso dizer que foi a única coisa boa que vivi nessa escola , depois mudei pra uma escola perto de casa ( formação geral ) posso dizer que as coisas comparadas com a escola anterior foram bem melhores , principalmente no primeiro e terceiro ano , que consegui ter umas amizades legais ( era coisa só de colégio msm , mas era melhor do que nada né ) terminando o ensino médio que o problema começa a vim a tona , pré vestibular , enem 3 vzs e nada , a segunda vez que tentei o pré vestibular , não durei 1 semana , por causa da fobia social , foi uma das coisas mais humilhantes da minha vida .. Vivi um momento anterior a esse que eu posso dizer que foi o meu melhor momento da minha vida , um grupo de " amigos / colegas " formando uma banda só pra brincar mesmo , pq na época geral era péssimo rsrs , mas sem motivo algum ( ou com uma justificativa muito ruim ) a banda acabou , os caras acabaram com o negócio via facebook , foi triste o lance , meu irmão fazia parte disso junto comigo e até hoje a gente tenta entender o que fizemos de errado pra o negócio tão legal acabar assim , o foda é que depois disso parece que todo o progresso que eu estava fazendo voltou a estaca zero , bom logo após o vexame no pré vestibular , surgiu um curso profissionalizante pra mim fazer , na área de informática , foi aí que eu fiz um " trato " com minha mãe , que ela não me faria mais eu ficar tentando enem e faculdade o tempo , eu meio que prometi que até o final desse curso eu seria outra pessoa ( outra vez sendo inocente ) vale ressaltar que já estava em psicólogo e psiquiatra nesse tempo , desde 2013 até hoje em dia ( mas já parei e voltei com o tratamento várias vezes , hoje em dia to parado ) voltando ao assunto , concluí o curso , mas não merecia sabe ( aliás mais da metade da sala tmb não merecia ) foi tipo aquele lance de aprovação automática sacas ? Bom era coisa do Pronatec ( Governo ) então era de se esperar .. Tive alguns progressos nesse curso , por exemplo , apresentei trabalhos pra minha sala inteira ( isso umas 3 vezes ) coisa que achava impossível , pois meu histórico sobre isso era ruim , foi muito bom vencer esse medo ( mesmo com a ansiedade a mil kk ) mas o curso acabou e eu não aprendi praticamente nada , e a promessa ( trato ) com minha mãe foi pro ralo mais uma vez ( compus até uma música sobre esse fato kkk eu sei que isso é in relevante mas quis apenas relatar isso ) nesse meio tempo também voltei a fazer curso de inglês , essa no caso foi a terceira vez ( e nenhuma das 3 vezes consegui concluir o curso por completo ) a primeira vez eu tinha 12 pra 13 anos , parei no início do avançado , era pago e eu era bolsista , e não consegui a média pra passar , a segunda vez foi quando eu tava terminando o segundo grau , isso lá pra 2011 , desta vez quase cheguei a concluir , mas sempre tem algo que estraga as coisas kkk , esse curso era particular mas era a prefeitura que pagava , bom acabou dando ruim justamente por isso , a prefeitura parou de pagar e ferrou , dos 3 cursos esse pra mim foi o melhor ( mesmo tudo não sendo o mar de rosas o tempo inteiro ) pois meus irmãos faziam junto comigo ( os primeiros períodos pelo menos ) e tmb por causa de uma paixão platônica que tive , gostei da pessoa pq ela me deu atenção , eu me achava tão desinteressante mas ela me tratou meio diferente do que eu estava acostumado , sem contar que ela era muito linda , mas infelizmente eu não tinha chanche , chorei quando ela disse que tinha namorado , mas foi bom sentir isso , embora ser correspondido pareça ser algo impossível , ainda mais com os problemas que tenho .. A última vez que tentei novamente o curso de inglês , dessa vez foi público , mesmo assim deu ruim novamente , o foda é que todas as vezes eu tive que iniciar do zero , começar do básico , e no final acabei no intermediário , o curso ia até o avançado , mas pela crise do governo , parei no intermediário , isso em 2016 ..
2017 e esse ano 2018 , tem sido anos mortos , tudo que eu vivi no passado me influência de uma maneira tão negativa , que tá foda pra reagir , todo dia acordo insatisfeito com vontade de mudar , mas o medo é muito grande ! Pensar em Faculdade e arranjar emprego me deixa triste , o que eu penso é que não adianta fazer essas atividades se for só pra vc se sentir mal , as pessoas te tratarem mal por seu comportamento ser diferente do deles , eu passei muito por isso nas escolas e cursos/ igrejas da vida e estou cansado disso , em nenhum momento eu pedi pra ser dessa maneira , isso não foi escolha minha ! Eu queria que as coisas fossem mais simples , paras as pessoas sem esse transtorno tudo parece .. Vou ser sincero aqui , não cheguei nem perto de tentar tudo nessa vida , confesso que estou bem " acomodado " mas se vc estivesse no meu lugar como vc agiria ? 25 anos , sem objetivo nenhum na vida , sem vontade nenhuma de cumprir obrigações ( estudar e trabalhar sem motivação , sem gostar , se torna apenas obrigação ) sentindo todo dia um vazio e um tédio inexplicável , na verdade a explicação é que a rotina já saturou , cheguei ao ponto que ir na rua ou ficar em casa da no mesmo , até consigo sair na rua de boa , andar nos bairros aqui próximo , ir no mercado na padaria ( nunca foi um grande problema pra mim embora já tenha lido relatos de pessoas com fobia com essa dificuldade ) até nos médicos eu estou conseguindo ir de boa , e isso foi talvez o único progresso que tive esse ano , e só aconteceu pois minha mãe ficou internada e tive que encarar sozinho e isso foi muito bom mesmo com a ansiedade inicial , foi um ótimo progresso , mas não é o suficiente , eu me sinto um inútil , não tem um dia que eu não me sinta triste com o que me tornei , meus pais não irão viver para sempre , todo dia sou atormentado com esse sentimento e não consigo reagir , a rotina já saturou , ainda consigo me entreter com músicas , livros , animes , facebook , mas o sentimento ruim vem e destrói a sua alegria passageira , tá difícil demais lidar com isso , nem desabafar com meus pais eu to conseguindo , só tenho amigos virtuais e que moram longe , meus irmãos se tornaram uma versão menos pior minha , e olha que eu sempre quis ser como eles , mas a vida tmb não foram justa com eles .. Queria ser como aquelas pessoas que não sente falta de ter amigos , vida social , que fica de boa com sua solidão , mas infelizmente não consigo ser dessa forma , mas admiro e invejo demais quem consegue !
E então galera , ainda existe alguma esperança pra mim ? Alguém aqui já viveu ( ou vive ) algo igual ou similar a isso ?
Bom esse foi meu desabafo , ainda faltou muita coisa , mas acha que com isso já foi mais do que o suficiente , pra entender minha situação !
Obs : Sorry pelo textão kkkk
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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